Considerando seu espírito empreendedor ao dar início à obra Marista, podemos dizer que Marcelino Champagnat foi um grande líder a serviço da missão. Aspectos de seu jeito de ser ajudaram a desenvolver seu sonho e servem de inspiração até os dias de hoje.

“Champagnat com toda certeza foi um excelente ‘gestor’. Sabia reconhecer a capacidade de sua pequena equipe e orientá-la de maneira assertiva e estratégica”, afirma Angelo Ricordi, colaborador do Memorial Marista que participou da edição do livro Nossos Superiores Gerais

Das escolhas feitas pelo fundador do Instituto dos Irmãos Maristas, é possível obter muitos aprendizados. Um exemplo foi a própria opção da área de atuação de trabalho da sua congregação.

“Marcelino faz uma leitura de cenário e percebe que há um campo de missão que até então não era assistido nem pelo Estado, nem pela Igreja: a zona rural da França. Sua primeira ideia é atuar nesses locais, à semelhança de uma congregação de sucesso (os Irmãos Lassalistas), que, por uma questão da natureza da sua regra, só atendiam as cidades e exigiam um número mínimo de três Irmãos para começar uma fundação. Champagnat flexibiliza essa cláusula, permitindo a abertura de escolas com apenas dois irmãos e com um custo financeiro bem menor que o dos Irmãos Lassalistas”, relata o pesquisador.

Cinco características marcantes de Marcelino Champagnat

Entre as características que se destacam no modo de gestão de Champagnat, Angelo Ricordi apresenta cinco tópicos principais:

  1. Foco na missão: Champagnat tinha claro que a função do Irmão se restringia à educação das crianças e jovens, rejeitando qualquer tipo de função até então presente para outras congregações de Irmãos, como serviço de sacristão, cantor e secretário municipal.
  2. Foco na cultura organizacional: um elemento constitutivo da mística Marista era o caráter mariano da sua congregação. Essa identidade foi fundamental no processo de consolidação e, depois, de fusão com outras congregações de Irmãos.
  3. Liderança servidora: Marcelino era o primeiro em todos os serviços mais difíceis que a congregação exigia dos Irmãos. Dava o exemplo, ao ser o primeiro trabalhador na construção de Hermitage.
  4. Proximidade com seus liderados: Champagnat mantinha uma rotina de viagens e visitas de acompanhamento com as escolas dos irmãos. Sabia se fazer presente de modo claro e eficiente.
  5. Mapeamento de lideranças: ao mudar o projeto inicial de sua missão (que contemplava apenas as escolas da zona rural) para a criação de escolas também nas cidades, soube escolher o seu melhor efetivo (Irmãos) para a abertura das mesmas.